Touradas à Corda
O maior arquivo da tourada à corda que conhecemos: quase três mil touradas filmadas e filmes desde 1929, reunidos num só lugar.
História
Mais de quatro séculos de tourada à corda, contados em oito azulejos: do gado bravo da Terceira aos capinhas que ainda hoje saem do povo.
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Séculos XV e XVI
Uma ilha de gado bravo
Em 1474, a carta da capitania de Angra já fala de «gados bravos» soltos na ilha. Em 1559, o bispo proíbe que se corram toiros nos adros das igrejas: o costume já existia. Antes de 1583, o cronista Gaspar Frutuoso contava mais de cem mil cabeças de gado na Terceira.
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1581
Os toiros da Salga
A 25 de julho, os castelhanos desembarcam na baía da Salga. Segundo Gaspar Frutuoso, foi Ambrósio de Ávila, da Praia, veterano da Índia, quem mandou buscar o gado. Umas cento e cinquenta reses rompem pelas fileiras, e frei Pedro da Madre de Deus entra a cavalo, de bandeira na mão. A tradição deu mais tarde a ideia a Brianda Pereira.
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1622
O primeiro registo
Nas festas do Colégio dos Jesuítas pela canonização de Santo Inácio e de São Francisco Xavier, a Câmara de Angra dá toiros duas vezes. Num dia, na praça, com toureiros e prémios; no outro, «se correrão de corda pela Cidade», com mascarados atrás. É o registo mais antigo que se conhece.
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1746
Capa, capote, capinha
Em julho de 1746, nas festas da Misericórdia de Angra, enquanto o cavaleiro muda de cavalo, saem «duas capinhas ignotas», de cara tapada, a fazer sortes ao toiro a pé. Capinha era o homem de capa que acompanhava o toureiro (Morais, 1789); o nome ficou aos rapazes que lidam o toiro na rua.
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1886–1904
A tourada nos jornais e nos postais
Em 1886 já se escrevia que correr toiros à corda «não se usa senão nos Açores». Seguem-se gravuras (1894, 1899), fotografias (1897, 1901) e, em 1904, os postais de São Bento que saem de Angra para a Alemanha e a França.
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Século XX
Da gaiola ao mar
Ainda em 1901 e 1935 os toiros chegavam a pé, guiados por pastores, cães e vacas de chocalho. Depois passaram a viajar em gaiolas, em camiões enfeitados de hortênsias, e o touril desapareceu. Mais tarde nasceram as touradas à beira-mar, em que toiro e capinhas acabam dentro de água salgada.
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1685–2018
A tradição na lei
A primeira regra conhecida na Terceira é de 1685: toiros só «com as pontas serradas». Em 1978 a Região aprova o primeiro regulamento das touradas à corda, com época de 1 de maio a 15 de outubro. Em 2008, o regulamento passa a decreto legislativo regional: quatro toiros com pelo menos três anos, embolados, foguetão à saída e dois foguetes à recolha. Em 2018 a lei define, pela primeira vez, o capinha.
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Hoje
Mais de duzentas por ano
De maio a outubro correm-se, em regra, mais de duzentas touradas à corda na Terceira: 268 em 2008, o máximo da contagem que começa em 1996. A pandemia parou-as em 2020; em 2022 voltaram 235. Os capinhas continuam a sair do povo, a corpo limpo, de guarda-chuva ou de pano na mão. Os emigrantes levaram a festa para a Califórnia, Massachusetts e o Canadá.
Ler a história completa, com os documentos
Fontes
- História e fontes: os documentos e a bibliografia completa
- Archivo dos Açores VIII (1886) · IX (1887–88)
- Drummond, Annaes da Ilha Terceira
- Frutuoso, Livro Sexto das Saudades da Terra (1963)
- Portaria n.º 28/78, Jornal Oficial I n.º 14
- Tertúlia Tauromáquica Terceirense · Tourada à corda
- História e Memória (Núcleo Filatélico de Angra) · Touradas à corda na Terceira
- Tauromaquia Património · Tourada à Corda (Açores)
- O Mirante (2006) · A origem da tourada à corda
- Wikipedia · Bay of Salga
- Wikipedia · Tourada à corda
- Diário da República · Decreto Legislativo Regional n.º 5/2018/A
- Priberam · capinha
Melhores momentos
Memória
Filmes desde 1929, guardados pela Cinemateca, pela RTP e por quem os filmou e os partilhou em linha.
Capinha
Agora é a sua vez. Pegue no guarda-chuva, chame o toiro e deixe-o passar no último instante, na Praça de Toiros da Terceira.
- Guarda-chuva, manta ou casaco: cada um chama o toiro à sua maneira
- Toiro manso, bravo ou bravíssimo
- Quanto mais perto o toiro passa, mais a praça aplaude e mais pontos ganha
Grátis, no telemóvel ou no computador, sem instalar nada
Esquema dos Açores: os grupos ocidental e oriental aproximados do centro e as ilhas pequenas ampliadas. Mapa © colaboradores do OpenStreetMap.
Arquivo
Festas
Da Páscoa ao fim do verão, cada freguesia coroa o Espírito Santo, abre o seu império e dá de comer a quem chega. E onde há festa, há toiro na rua.
O império. Uma pequena capela no alto de uma escadaria, pintada de cores vivas e quase sempre encimada pela coroa e pela pomba. Muitas foram pagas por emigrantes, a partir de 1860.
A coroação. Na missa da festa, a coroa de prata, com a pomba de asas abertas, é posta ao imperador, muitas vezes uma criança, e segue em cortejo até ao império.
As sopas. Sopas do Espírito Santo, alcatra e massa sovada, servidas a todos, conhecidos ou não. No bodo de leite, dá-se leite e pão.
E a tourada.
Fontes: SIPA, Os Impérios do Espírito Santo na Ilha Terceira · Paula Noé (2012) · Wikipedia, Cult of the Holy Spirit
Em direto
Aqui ficam os canais que filmam e transmitem as touradas. Em 2027, com a nova época, voltam a emitir em direto.
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