Touradas à Corda por

História e fontes

A tourada à corda tem pelo menos 450 anos de história escrita. Em 1559 o bispo de Angra já proibia correr toiros nos adros (Drummond I, p. 129); em 1622 os toiros «correrão de corda pela Cidade» (AA VIII, p. 463); em 1746 aparecem os primeiros capinhas (AA IX, p. 460). Nesta página mostramos os documentos, página a página, para que os possa ler por si.

Cada afirmação traz a fonte ao lado, entre parênteses: autor, obra, volume e página. Toque na fonte para ir à bibliografia, onde há ligação para a edição digitalizada. Onde só conhecemos um documento através de outro autor, dizemo-lo. As páginas reproduzidas vêm de obras em domínio público, digitalizadas pelo Internet Archive.

  1. 1559
  2. 1581
  3. 1622
  4. 1746
  5. 1904
  6. Séc. XX
  7. 1685
  8. Hoje

1622

O registo mais antigo da tourada à corda, impresso em Lisboa em 1623 (AA VIII, p. 463).

Página 463 do Archivo dos Açores, volume VIII (1886): o parágrafo em que a Câmara de Angra dá toiros duas vezes e, no outro dia, «se correrão de corda pela Cidade».
Archivo dos Açores, VIII (Ponta Delgada, 1886), p. 463, parágrafo no topo da página. Digitalização do Internet Archive; obra em domínio público. Abrir a página no Internet Archive

A passagem

«…e muito mais com os touros, que por duas vezes deu, correndo-se huma dellas em o terreiro da praça, incitando aos toureiros com bons premios, á vista dos quaes fizerão algumas boas sortes, e os touros tambem nelles: porém sem nenhum perigo, e com muita festa, e aplauso o mesmo causarão no outro dia, que se correrão de corda pela Cidade, varios em numero, a que não faltarão mascarados, e outra muita gente, que os soube festejar.»

Archivo dos Açores VIII, p. 463

Em português de hoje

«…e muito mais com os toiros, que a Câmara deu por duas vezes: uma delas correu-se no terreiro da praça, com bons prémios para incitar os toureiros, à vista dos quais fizeram algumas boas sortes, e os toiros também; mas sem perigo nenhum, e com muita festa e aplauso. O mesmo causaram no outro dia, em que se correram de corda pela cidade, vários em número, e a que não faltaram mascarados e muita outra gente, que os soube festejar.»

O que é

No princípio de agosto de 1622, o Colégio dos Jesuítas de Angra festejou a canonização de Santo Inácio de Loiola e de São Francisco Xavier. A Câmara deu toiros duas vezes: num dia correram no terreiro da praça, com prémios para os toureiros; no dia seguinte «correrão de corda pela Cidade», vários, com mascarados e muita gente atrás. É o registo mais antigo da tourada à corda. Foi impresso em Lisboa em 1623, a partir do relato de um jesuíta que esteve nas festas (AA VIII, pp. 454 e 463; Relaçam, 1623, fols. 212–223 v).

Os dias exatos são inferência nossa: a oitava de Santo Inácio começou ao domingo, 31 de julho de 1622, e os toiros correram-se nas tardes de terça a quinta-feira. O mesmo relato diz que o jesuíta «ao fazer das festas se achou na Ilha» (p. 454). O Archivo dos Açores dá 1622 como ano da impressão; o impresso é de 1623. (AA VIII, p. 454). Inferência nossa.

Porque importa

Antes de 1559

O costume já existia: um bispo proibia correr toiros nos adros 63 anos antes de 1622 (Drummond I, p. 129).

  1. 1450

    Jácome de Bruges povoa a Terceira com vacas, porcos, ovelhas e cabras. A data da carta é presumida e há quem a ponha em dúvida (Frutuoso, liv. VI, p. 64). Relatado.

  2. 1474

    A carta da capitania de Angra deixa os vizinhos matar livremente os «gados bravos»: a menção documental mais antiga de gado bravo na ilha (Frutuoso, liv. VI, p. 85; AA IV, p. 159).

  3. 1483

    Em Tavira, um Corte-Real recebe uma torre para ver os toiros. É da família que tinha a capitania de Angra; não prova toiros na Terceira (AA IV, pp. 492–493).

  4. 1559

    As constituições do bispado de Angra proíbem que se corram toiros nos adros das igrejas. Proibir pressupõe o costume (Drummond I, p. 129).

O que podemos dizer: há gado bravo em 1474 e há toiros corridos nos adros antes de 1559. O que não podemos dizer: qualquer coisa mais antiga sobre jogos de toiros na ilha é inferência. Inferência nossa.

Página 129 dos Annaes da Ilha Terceira, volume I: o ponto 14.º das constituições do bispado, «nem se corressem touros nos mesmos adros».
Drummond, Annaes da Ilha Terceira, I (Angra, 1850), p. 129, ponto 14.º. Digitalização do Internet Archive; obra em domínio público. Abrir a página no Internet Archive

«14.º Que nem dentro nos adros nem egrejas se fizessem audiencias, nem se corressem touros nos mesmos adros»

Drummond I, p. 129

Lemos o resumo de Drummond; não vimos as constituições impressas em 1560. Merelim, citado por Loureiro e Tavares da Silva, dá as palavras «nem se corram touros nos adros delas». (Merelim 1986, p. 39; Loureiro & Tavares da Silva 2021, p. 511, n. 60).

A ideia de que foram os espanhóis a trazer os toiros também não resiste a esta data: a proibição é 24 anos anterior à ocupação de 1583. Drummond conta que alguns querem que o uso tenha vindo dos espanhóis, e Walker repetiu-o em inglês em 1886 (Drummond IV, p. 76, n. 1; Walker 1886, p. 156).

1746

Dois capinhas de cara tapada (o texto diz «duas capinhas ignotas»), na praça de Angra, enquanto o cavaleiro mudava de cavalo (AA IX, p. 460).

Em julho de 1746, Angra festejou a entrada do Senhor Santo Cristo na nova igreja da Misericórdia. Na praça, o cavaleiro João Pereira de Lacerda farpeou «hum touro susto e terror das montanhas». Enquanto mudava de cavalo, saíram «duas capinhas ignotas pelas bigodeiras», de cara tapada, e fizeram sortes ao toiro a pé. São os primeiros capinhas de que há notícia nos Açores. Capinha era então o homem de capa que acompanhava a pé o toureiro; o nome passou para os rapazes que, ainda hoje, saem do povo para lidar o toiro na rua (AA IX, pp. 454 e 460; Morais Silva 1789, s.v. «Capinha»).

Era uma tourada de praça, com cavaleiro e lacaios, e não ainda a tourada à corda de aldeia. O relato é anónimo e inédito até ao Archivo dos Açores: o autor assina «António» no soneto final. (AA IX, pp. 454–463).

Uma testemunha inglesa viu as mesmas festas. Um corsário britânico fez escala em Angra, assistiu à sagração da nova igreja e descreveu, na maior praça da cidade, o «bull-feast»: três toiros, cavaleiros de lança e peões com dardos e capas. Duas fontes independentes, uma portuguesa e uma inglesa, contam a mesma festa (Walker II (1760), pp. 38–43).

Página 460 do Archivo dos Açores, volume IX (1887–1888): «sahião duas capinhas ignotas pelas bigodeiras, que as occultavão».
Archivo dos Açores, IX (Ponta Delgada, 1887–1888), p. 460, a meio da página. Digitalização do Internet Archive; obra em domínio público. Abrir a página no Internet Archive

«Com estas e muitas diversidades se continuou a tarde com gosto; porque ainda quando o cavalleiro mudava o cavallo sahião duas capinhas ignotas pelas bigodeiras, que as occultavão e pondo ao divertimento muita admiração, mostraram destreza nas sortes que fazião, quando de pé a pé investidos o touro lhe dava»

Archivo dos Açores IX, p. 460

Capinha no dicionário

A palavra tem data no dicionário. Em 1789 Morais Silva define-a assim; o Vocabulario de Bluteau (1712) só conhece a capinha como pequena capa e como capa de clérigo (Morais Silva 1789; Bluteau, vol. II):

«CAPINHA … § fig. e masc. o homem de capa, que acompanha a pé ao toureador, para provocar o boi, ou divertillo de accommetter o toureador.»

Morais Silva, Diccionario, 1789

A Salga

25 de julho de 1581: quem teve a ideia de lançar o gado contra os castelhanos? Cada época responde de maneira diferente.

Frutuoso, c. 1589

Quem teve a ideia
Ambrósio de Ávila, da Praia (Frutuoso escreve «Davista»), «homem experimentado na guerra, que tinha andado na Índia de Portugal quinze anos» (Frutuoso, liv. VI, p. 158).
Quantas reses
«cento e cinquenta rezes»; cerca de 80 saltaram o muro que catorze homens tinham deitado abaixo (Frutuoso, p. 159).
Frei Pedro
Entra a cavalo, «com uma bandeira na mão» (Frutuoso, p. 159).
Brianda Pereira
Não é mencionada.

Drummond, 1850

Quem teve a ideia
Frei Pedro, agostinho, aconselha o governador Cipriano de Figueiredo a lançar «grande quantidade de gado vaccum», espantado com aguilhão e fogo de arcabuzes (Drummond I, p. 223). Relatado.
Quantas reses
«tanto ou mais do que era o numero dos inimigos» (Drummond I, pp. 219–224).
Frei Pedro
O conselheiro do governador. (Drummond I, p. 223).
Brianda Pereira
Anima os defensores; «nova Lucrecia». Não lhe atribui o gado (Drummond I, pp. 219–220).

Em resumo

A 25 de julho de 1581, o gado lançado contra os castelhanos decidiu a batalha da Salga. A fonte mais próxima, Gaspar Frutuoso, atribui a ideia a Ambrósio de Ávila, da Praia, e fala em cerca de cento e cinquenta reses; frei Pedro da Madre de Deus entrou a cavalo, de bandeira na mão. A figura de Brianda Pereira como autora da investida é uma tradição posterior (Frutuoso, liv. VI, pp. 158–160; Drummond I, pp. 219–224).

Depois da Salga

Cordeiro, em 1717, conta o essencial: os defensores lançaram muito gado diante dos castelhanos para os perturbar. Em 1583 a manobra repetiu-se contra o marquês de Santa Cruz e falhou: as fileiras espanholas abriram-se e deixaram passar as reses (Cordeiro II, liv. VI, cap. XXIV, p. 143; Frutuoso, p. 189; Drummond I, p. 329).

A memória da Salga e a tourada cruzam-se por volta de 1850: em São Sebastião, o dia de Santa Ana, 26 de julho, festeja-se «nas praças publicas com touradas e danças, em allusão á victoria da Salga» (Drummond I, p. 35).

Frutuoso e Cordeiro são fontes impressas há muito; não reproduzimos a edição de 1963 de Frutuoso, só a citamos por página.

Regra e lei

Da primeira regra conhecida na Terceira, as pontas serradas de 1685, à lei regional que define o capinha.

  1. 1559

    As constituições do bispado: não se corram toiros nos adros (Drummond I, p. 129).

  2. 1676

    Decreto do reino, de 14 de setembro: toiros só com as pontas cortadas (Loureiro & Tavares da Silva 2021, p. 497). Relatado.

  3. 1685

    Provisão de 13 de setembro: toiros só «com as pontas serradas», pelas muitas mortes. O antepassado da embolação de hoje (Drummond II, p. 210; DLR 37/2008/A, art. 64.º).

  4. 1978

    Portaria n.º 28/78, de 12 de junho: o primeiro regulamento das touradas à corda (Terceira, São Jorge e Graciosa), com época de 1 de maio a 15 de outubro (Portaria n.º 28/78, art. 1.º).

  5. 1992

    Portaria n.º 25/92, de 28 de maio: «Remonta a 1622 a primeira citação que se conhece da realização de uma tourada à corda» (Portaria n.º 25/92).

  6. 2003

    Portaria n.º 27/2003, de 17 de abril: o ganadeiro tem de possuir pelo menos 25 vacas de ventre inscritas na associação regional (Portaria n.º 27/2003, art. 2.º a)).

  7. 2008

    DLR n.º 37/2008/A, de 5 de agosto: a tourada à corda na lei regional, com quatro toiros de pelo menos três anos, embolados, foguetão à saída e dois foguetes à recolha (DLR 37/2008/A, arts. 43.º f), 56.º e 64.º).

  8. 2010

    DLR n.º 12/2010/A, de 30 de março: os toiros são bovinos machos da raça brava; duração máxima de três horas (DLR 12/2010/A).

  9. 2018

    DLR n.º 5/2018/A, de 11 de maio: a lei define, pela primeira vez, o capinha (DLR 5/2018/A, art. 43.º o)).

  10. 2023

    DLR n.º 16/2023/A, de 11 de maio: sinal sonoro de recurso, em alternativa ao foguete (DLR 16/2023/A).

Página 210 dos Annaes da Ilha Terceira, volume II: a provisão de 13 de setembro de 1685, que proíbe correr toiros «senão com as pontas serradas».
Drummond, Annaes da Ilha Terceira, II (Angra, 1856), p. 210. Digitalização do Internet Archive; obra em domínio público. Abrir a página no Internet Archive

«senão com as pontas serradas, pelas muitas mortes que resultavam»

Drummond II, p. 210

Drummond conjetura que algumas desgraças na corrida dos toiros deram lugar à provisão. Citou-a; nós não a vimos. (Drummond II, p. 210).

As touradas em números

  1. 47

    1889

    corridas à corda, com 225 toiros, na entrada «Angra» do dicionário de Almeida (Almeida 1893, p. 86)

  2. 70–80

    1906

    corridas à corda por ano, de maio a setembro, segundo Silveira Moniz (Moniz 1906, pp. 30–32)

  3. 183

    1996

    touradas à corda na Terceira, o primeiro ano da série da Tertúlia (Tertúlia)

  4. 268

    2008

    o máximo desde 1996 (Tertúlia)

  5. 0

    2020

    a pandemia parou-as (Tertúlia)

  6. 9

    2021

    época prolongada até 15 de novembro (Tertúlia; DLR 33/2021/A)

  7. 235

    2022

    o regresso (Tertúlia)

Contagens da Tertúlia (1996–2022): relatadas. Os números de 1889 e de 1906 são de dois autores diferentes, sobre sítios e anos diferentes: não formam uma série. Relatado.

Cronologia

Todas as datas que encontrámos, cada uma com a sua fonte.

Sem marca: documentado, isto é, lemos o texto ou um impresso do tempo do acontecimento. «Relatado»: fonte posterior, ou que não pudemos abrir. «Lenda»: tradição ou folclore. «Inferência nossa»: conclusão que tirámos e que a fonte não diz. As citações mantêm a grafia original.

Antes da tourada: gado, rebanhos bravos e os primeiros toiros (1450–1583)

  1. 1450

    3 de março, data disputada

    Jácome de Bruges povoa a Terceira com gado: chega com dois navios carregados de vacas, porcos, ovelhas e cabras. O editor de 1963 nota que a data da carta é presumida e que alguns estudiosos a consideram apócrifa (Frutuoso, liv. VI, p. 64; nota do editor, p. 86). Relatado.

    «logo se veio a ela com dois navios carregados de gado sc., vacas, porcos, ovelhas e cabras»

  2. 1474

    2 de abril, Évora

    Gados bravos na Terceira: a carta da infanta D. Beatriz que dá a João Vaz Corte-Real a capitania de Angra deixa os vizinhos matar livremente os gados bravos. É a menção documental mais antiga de gado bravo na ilha. Frutuoso copiou o ano como 1464; o editor corrige-o para 1474 (Frutuoso, liv. VI, p. 85; AA IV, p. 159).

    «os gados bravos possam matar os vizinhos da dita ilha, sem haver aí contra defesa nem licença do dito capitão»

  3. 1483

    15 de junho, Évora

    Os Corte-Reais e os toiros, no continente: Vasco Anes Corte-Real, o Moço, recebe uma velha torre de Tavira para a reparar e ver dela os toiros. Era da família que tinha a capitania de Angra, e provavelmente filho de João Vaz Corte-Real (por confirmar). Não prova que se corressem toiros na Terceira: mostra que essa família assistia a touradas em casa (AA IV, pp. 492–493).

    «pêra aver delia logiamento e vista dos touros»

  4. 1559

    sínodo do bispo D. Fr. Jorge de Santiago

    Primeira prova de que se corriam toiros nos Açores: as constituições do bispado de Angra, impressas em Lisboa em 1560, proíbem correr toiros nos adros. Uma proibição pressupõe o costume. Dá-se 24 anos antes da ocupação espanhola (1583), o que enfraquece a ideia de que foram os espanhóis a trazê-lo. Drummond resume as constituições; não vimos o impresso de 1560 (Drummond I, p. 129; Merelim 1986, p. 39; via Loureiro & Tavares da Silva 2021, p. 511, n. 60).

    «14.º Que nem dentro nos adros nem egrejas se fizessem audiencias, nem se corressem touros nos mesmos adros»

  5. 1567–1575

    bulas papais, contexto

    Pio V (De Salute Gregis Dominici, 1 de novembro de 1567) e Gregório XIII (Exponi Nobis, 25 de agosto de 1575) restringem as touradas e proíbem-nas ao clero. Merelim diz que o cardeal D. Henrique aplicou a proibição em Portugal. Não encontrámos aplicação nos Açores (Loureiro & Tavares da Silva 2021, p. 497; Merelim 1986, p. 14). Relatado.

  6. 1581

    25 de julho

    Batalha da Salga: o gado lançado contra os castelhanos. A narrativa mais próxima, a de Frutuoso (escrita por volta de 1586–1590, sem testemunho direto), atribui a ordem de trazer o gado a Ambrósio de Ávila, da Praia, e fala em cento e cinquenta reses. Cordeiro, em 1717, resume: lançaram muito gado diante dos castelhanos. Ver «A Salga em três versões» (Frutuoso, liv. VI, pp. 157–160; Cordeiro II, liv. VI, cap. XXIV, p. 143).

    «Chegado o gado às duas horas depois do meio dia, que seriam cento e cinquenta rezes»

  7. 1581

    nas versões posteriores

    Quem teve a ideia, segundo os relatos de depois: em 1850 Drummond dá o conselho a frei Pedro, agostinho, e faz de Brianda Pereira a heroína que anima os defensores, sem lhe atribuir o gado. A ideia de que Brianda inventou a investida surge em relatos românticos posteriores (Drummond I, pp. 219–224; Wikipedia, «Brianda Pereira»). Lenda.

    «lançasse grande quantidade de gado vaccum, e o espantassem sobre o inimigo com aguilhão, e fogo dos arcabuzes»

  8. 1583

    26–27 de julho

    O truque do gado falha contra o marquês de Santa Cruz: os defensores largam um rebanho muito maior e as fileiras espanholas abrem-se para o deixar passar. Frutuoso e Cordeiro falam em mil vacas; Drummond escreve «2$» vacas atadas em «cobras», isto é, em fieiras (a cifra da nossa leitura é incerta) (Frutuoso, liv. VI, p. 189; Cordeiro II, p. 156; Drummond I, p. 329).

    «recolheram até mil vacas pera procurar desbaratar com elas nossa ordenança, e o marquês mandou … que não disparassem … antes lhe fizessem caminho»

  9. Depois de 1583

    O grande rebanho cai a pique. Frutuoso fala em gado vacaril (gado das vacas, não gado bravo) e põe os cem mil antes da tomada da ilha pelos espanhóis. Cordeiro repete o número, citando Frutuoso (Frutuoso, liv. VI, cap. V, p. 48; Cordeiro II, p. 83).

    «Havia na ilha Terceira mais de cem mil cabeças de gado vacaril, e agora, despois da entrada da terra pelos espanhóis, não haverá três mil»

O toiro nas festas de Angra (1610–1830)

  1. 1610

    Angra faz a sua grande praça, onde se hão de correr toiros todos os anos. Cordeiro cita o cronista Guedes, cuja obra se perdeu (Cordeiro II, liv. VI, cap. X, p. 44).

    «os da governança da Cidade fizerão esta praça em 1610, e em 1614 levantarão os sobreditos Paços»

  2. 1614

    o compromisso de São João

    Uma justificação de 1614 regista que os fidalgos de Angra tinham, havia mais de 80 anos, o compromisso de festejar o São João com danças, máscaras e cavalhadas. Drummond nota que o documento não trata de corrida de toiros, e que alguns querem que o uso viesse dos espanhóis. A proibição de 1559 é anterior ao domínio espanhol, pelo que a opinião não se sustenta para a corrida de toiros em si (Drummond IV, p. 76, n. 1). Relatado.

    «porem não tracta da corrida de touros, que este uso, querem alguns, nos viesse dos hespanhoes, quando aqui dominaram»

  3. 1622

    início de agosto; os dias exatos são inferidos

    O registo mais antigo da tourada à corda. Nas festas do Colégio dos Jesuítas pela canonização de Santo Inácio e de São Francisco Xavier, a Câmara de Angra dá toiros duas vezes: num dia na praça, com prémios para os toureiros; no outro, «de corda pela Cidade», com mascarados. Ver «O documento de 1622» (AA VIII, pp. 454 e 463).

    «o mesmo causarão no outro dia, que se correrão de corda pela Cidade, varios em numero, a que não faltarão mascarados, e outra muita gente»

  4. 1643

    Touradas na vila de São Sebastião, nas festas do aniversário da aclamação de D. João IV. Drummond cita o acórdão da câmara: a câmara destinou 6$000 réis (Drummond II, p. 81, n. 8).

    «que constavam de touradas, torneios e cavalhadas»

  5. 1662

    junho

    Três dias de corridas de toiros no castelo, pelo casamento da infanta D. Catarina com Carlos II de Inglaterra, ordenados pelo governador Francisco d'Ornellas. Drummond acrescenta, a partir de Maldonado, que as festas esperaram por junho «por ser estação propria» (Drummond II, p. 143).

    «tres dias de corridas de touros, cavalhadas, fogos de artificio, e de artilheria»

  6. 1676

    14 de setembro

    No reino inteiro: toiros só com as pontas cortadas. É um decreto de D. Pedro II (Livro 2 do Desembargo do Paço, fl. 17 v) (Loureiro & Tavares da Silva 2021, p. 497). Relatado.

    «se não possam correr touros, sem que tenham as pontas cortadas»

  7. 1685

    13 de setembro

    A primeira regra conhecida para a Terceira: toiros só com as pontas serradas, pelas muitas mortes. Drummond conjetura que algumas desgraças acontecidas na corrida dos toiros deram lugar à provisão. É o antepassado da regra de hoje, de o toiro correr sempre embolado. Drummond cita a provisão; não a vimos (Drummond II, p. 210; DLR 37/2008/A, art. 64.º).

    «senão com as pontas serradas, pelas muitas mortes que resultavam»

  8. 1687

    As «costumadas brincadeiras de cavalhadas e touros»: o casamento de D. Pedro II e Maria Sofia foi festejado na ilha com elas (Drummond II, p. 212).

    «foi mui festejada nesta ilha com as costumadas brincadeiras de cavalhadas e touros»

  9. 1717

    Toiros todos os anos na praça de Angra, com as ruas que dão para ela barricadas. Parece-nos a mesma lógica dos limites de rua de hoje (Cordeiro II, liv. VI, cap. X, §84, pp. 43–44). Inferência nossa.

    «hum Rocio mui plano, e muito direito, em que se fazem os exercicios da milicia, e se correm todos os annos touros, tranqueiradas as ruas que á praça vem»

  10. 1746

    julho

    Os primeiros capinhas num texto açoriano: dois capinhas de cara tapada fazem sortes ao toiro, a pé, na praça de Angra, enquanto o cavaleiro muda de cavalo. Ver «Os primeiros capinhas» (AA IX, p. 460).

    «sahião duas capinhas ignotas pelas bigodeiras, que as occultavão»

  11. 1746

    julho; uma testemunha inglesa

    Um corsário britânico faz escala em Angra, assiste à sagração da nova igreja e vê, na maior praça da cidade, três toiros, cavaleiros de lança e peões de dardos e capas. Duas fontes independentes, uma portuguesa e uma inglesa, descrevem a mesma festa (Walker II (1760), pp. 38–43).

    “the fight of their bulls, commonly called a bull-feast”

  12. 1759

    junho

    Festas pela recuperação de D. José I do atentado de 1758: três tardes de corridas de toiros, numa praça cercada de trincheiras (Drummond II, pp. 282–283).

    «cujas tardes foram entretidas com corridas de touros, na praça que se achava cercada de trincheiras»

  13. 1765

    6 de junho, Praia

    O capitão-mor José Borges Leal Corte Real vai marcar o aniversário do rei com fogo e «brinco de touros» na praça da vila da Praia, segundo o livro de acórdãos da câmara (Drummond II, p. 294).

    «alem do fogo e brinco de touros na praça da villa»

  14. 1789

    A definição de «capinha» no dicionário: o homem de capa que acompanha a pé o toureador. O Vocabulario de Bluteau (1712) só tem capinha como pequena capa e como capa de clérigo: o sentido tauromáquico aparece depois (Morais Silva 1789, s.v. «Capinha»; Bluteau, vol. II, s.v. «Capinha»).

    «CAPINHA … § fig. e masc. o homem de capa, que acompanha a pé ao toureador, para provocar o boi, ou divertillo de accommetter o toureador.»

  15. 1809

    Festas pelas vitórias sobre os franceses, «na forma do antigo compromisso desta cidade»; vieram vizinhos das outras ilhas (Drummond III, p. 193).

    «com diversas danças e cavalhadas, corridas de touros &c. na forma do antigo compromisso desta cidade»

  16. 1823

    julho

    Pela queda do regime liberal, Angra dispensa desta vez os festejos habituais, entre eles as corridas de toiros e as máscaras, «tão usados em todas as occasiões de regosijo nacional» (AA VII, p. 300).

    «os dispendiosos festejos de cavalhadas, danças, corridas de touros, mascaras, e outros publicos divertimentos, nella tão usados em todas as occasiões de regosijo nacional»

  17. 1825

    24 de junho

    Quatro dias de «grandes touradas», com mais de cinco mil pessoas e nenhum descontentamento (Drummond IV, p. 76).

    «houveram cavalhadas, contradanças e grandes touradas; notando-se que neste circulo, onde concorreram mais de cinco mil pessoas, durando quatro dias, não apparecesse o mais leve descontentamento»

  18. 1830

    22 de junho

    Tourada na praça do castelo de São João Baptista (Almeida 1893, p. 86). Relatado.

A tourada de aldeia toma forma (1836–1937)

  1. 1836–1837

    contexto

    Proibição das corridas de toiros em todo o reino, revogada no ano seguinte. Não encontrámos efeito nos Açores (decreto de 19 de dezembro de 1836; Loureiro & Tavares da Silva 2021, pp. 502–503). Relatado.

    «fiquem proibidas em todo o Reino as corridas de Touros»

  2. 1839

    Angra regula o aluguer das janelas sobre a praça para o São João (Lopes 1971, p. 67). Relatado.

  3. c. 1850

    Em São Sebastião, o dia de Santa Ana (26 de julho, o dia seguinte à batalha) festeja-se com touradas e danças em alusão à vitória da Salga. É a ligação textual mais clara entre as festas de toiros e a memória da Salga. Que o costume seja «de tempos mui antigos» é o que diz Drummond, não o que provámos (Drummond I, p. 35).

    «nas praças publicas com touradas e danças, em allusão á victoria da Salga, no anno de 1581»

  4. 1870

    Abre a praça de toiros de São João, no Alto das Covas, em Angra (Lopes 1971, p. 244; Câmara Municipal de Angra). Relatado.

  5. 1873

    janeiro

    Um visitante inglês: um toiro corre numa rua de aldeia, com as pontas da rua fechadas para o toiro não fugir. O relato não menciona corda (Saint Pauls Magazine 12, p. 91).

    “A bull is run into a village street. The ends are closed to prevent his escape”

  6. 1882

    Alice Baker, em Angra: o costume nacional de uma corrida de toiros anual ainda se mantém (Baker 1882, p. 91).

    “The national custom of an annual bull-fight is still kept up at Angra”

  7. 1885

    6 de setembro

    José Cupertino Dinis Ormonde abre a Praça de Santo António, no Porto dos Biscoitos, com sete toiros do comendador José Borges Leal Corte Real. O Governo Civil de Angra passa o primeiro alvará de dois anos a 21 de setembro. A 7 de outubro, uma «Maria da Conceição» lida ali um toiro: é a primeira mulher que encontrámos nomeada num festejo de toiros açoriano (de praça, não de corda) (BPARAH, «Documento do mês»). Relatado.

  8. 1886

    21 de junho

    «Só nos Açores»: Correr toiros à corda, escreve uma revista de Lisboa, não se usa senão nos Açores; nas outras ilhas os toiros não prestam para toireio, por demasiado mansos (Costa 1886, Illustração Portugueza n.º 49).

    «Correr toiros à corda, creio que não se usa senão nos Açores.»

    «Nas outras ilhas, os toiros não prestam para toireio, por demasiado mansos.»

  9. 1886

    a «origem espanhola», em inglês

    Walker repete a ideia de que os espanhóis trouxeram o costume. A proibição de 1559 contradiz-a (Walker 1886, p. 156). Relatado.

    “bull fights, during their occupancy of the island, were frequent; the cruel pastime being kept up long after they were expelled”

  10. 1889

    as primeiras estatísticas

    Na entrada «Angra», o dicionário de Almeida conta 47 corridas à corda, «costume especial da terra», com 225 toiros, além de 10 corridas de praça com 77 toiros (Almeida 1893, p. 86).

    «47 corridas á corda, costume especial da terra, onde se correram 225 touros»

  11. 1893–1894

    dezembro de 1893

    A primeira descrição completa de uma testemunha: Paula Nogueira assiste a uma tourada de corda na Fonte do Bastardo. A corda é segura por quatro rapagões e o toiro vem enlaçado nas pontas. Em Angra, diz, estas touradas não são permitidas. Pagavam-nas as juntas de paróquia e os angariadores de votos (Paula Nogueira 1894, pp. 161–170).

    «uma comprida corda segura por quatro robustos rapagões. No outro extremo da corda vem um touro enlaçado nas pontas»

    «Na cidade de Angra as touradas de corda não são, nem podiam ser, permittidas»

    Gravura de 1894: «Uma tourada de corda». Numa rua de aldeia, o toiro avança com uma corda atada às pontas; o povo olha das janelas e dos muros e os homens da corda seguem-no com varas.
    Paula Nogueira, As ilhas de S. Miguel e Terceira (Lisboa, 1894), gravura «Uma tourada de corda», p. 167. Digitalização do Internet Archive; obra em domínio público. Abrir o livro no Internet Archive
  12. 1895

    13 de setembro

    O espada espanhol «Mateíto», contratado pela Praça do Espírito Santo, mata um toiro da «vasta ganaderia» do morgado Barcelos, em terra privada, fora do alcance da lei, na Terra Chã (Lopes 1971, pp. 297–299). Relatado.

  13. 1897

    as primeiras fotografias

    Um registo de direitos de autor nos Estados Unidos lista fotografias intituladas «Tourada de Corda, S. João de Deus, Terceira» e «Tourada, Sorte de Bandarilhas, Terceira». O registo não identifica o fotógrafo (Catalog of Copyright Entries, mar.–jul. 1897).

  14. 1899

    16 de abril

    Gravuras: «Corrida de toiros à corda (Ilha Terceira)» (Brasil-Portugal n.º 6).

  15. 1900

    A corda descrita em francês: prender um toiro ao fim de uma corda comprida, cuja outra ponta é segura por vários camponeses (Le Portugal au point de vue agricole, pp. 269–270).

    «attacher un taureau au bout d'une longue corde, dont l'autre bout est tenu par plusieurs paysans»

  16. 1901

    Fotografias, um guia de viagem e uma tourada real. Faustino da Fonseca publica cinco fotografias (os toiros chegam a pé, guiados por pastores com cães de fila). Samler Brown escreve que uma corda comprida se prende às pontas do animal e que cabe aos espetadores travar-lhe os movimentos. Na visita de D. Carlos e D. Amélia há uma tourada à corda em São João de Deus, em Angra, com mais de vinte mil pessoas (Fonseca 1901, pp. 140–145; Brown 1901, p. 147c; Silveira Moniz 1906, p. 31).

    «Embora preso a uma corda, que quatro homens seguram para não o deixarem ultrapassar os limites da povoação»

    “A long rope is attached to the animal's horns, and it is the duty of the lookers-on to hinder the movements of the bull”

  17. 1904

    «Mascarados de corda»: os homens da corda vestiam de branco com debrum vermelho e viseira, o que deu origem ao nome, como lhes chama o povo. Nesse ano saem de Angra para a Alemanha e a França postais de uma tourada em São Bento (Portugal: Diccionario I, pp. 557–558; Núcleo Filatélico de Angra).

    «originou a denominação de mascarados de corda, como o povo lhe chama»

  18. 1906

    «Ano d'eleições, ano de toiradas!»: 70 a 80 corridas à corda por ano, de maio a setembro, e mais em ano de eleições. A corda tem 14 a 15 metros e é segura por três ou quatro homens; as autoridades marcam os limites das ruas (Moniz 1906, pp. 30–32).

  19. 1919

    junho

    National Geographic: uma corda presa às pontas do toiro para travar, se preciso, o avanço do animal enfurecido (Haeberle 1919, p. 543).

    “A rope is attached to the horns of the bull to check, if necessary, the progress of the infuriated animal”

  20. 1922

    um conto popular

    Um conto recolhido em inglês diz que «a primeira tourada de Angra» foi em 1666. Os documentos de 1559 e de 1622 contradizem-no (Eells 1922, p. 270). Lenda.

    “in the year 1666 the first bull fight was held in Angra”

  21. 1924

    «A corrida de toiros à corda é oferenda dos grandes senhores ao povo», escreve o Diário de Lisboa. Uma revista americana fala de um toiro de pontas forradas, com uma corda de cinquenta pés (uns quinze metros) pendurada, solto numa rua de aldeia (Diário de Lisboa, 16 abr. 1924; Pollock, Travel, dez. 1924, p. 12).

    «A corrida de toiros “à corda” é oferenda dos grandes senhores ao povo»

    “a bull with padded horns and a fifty-foot rope dangling from them loose in the village street”

  22. 1925

    15 de setembro

    Califórnia: o primeiro festejo de toiros conhecido da comunidade açoriana, em Tulare (Maudet 2010, p. 347; Graves 2004, p. 160). Relatado.

  23. 1927

    17 de dezembro

    Califórnia: uma nova arena, e a Humane Society protesta (Richmond Record-Herald, 17 dez. 1927).

    “There will be no bull fights nor rodeos held in this county where animals are treated cruelly”

  24. 1930

    dezembro

    Lawton Mackall, nos Estados Unidos: a tourada à corda da Terceira é a tourada na sua forma primitiva, e em cada dia da semana há «Bull Day» numa vila ou aldeia (Mackall 1930, pp. 69–71).

    “the Terceiran tourada à corda is bull fighting in its aboriginal form”

  25. 1932

    José Dinis Fernandes funda a primeira ganadaria da linha moderna, com gado bravo de José Narciso Parreira Coelho; termina em 1967. Em Gustine, na Califórnia, realiza-se a primeira Festa da Serreta (CAJAF, «História»; Gayton 1948; Maudet 2010, pp. 347–348). Relatado.

  26. 1934

    7 de setembro

    São Jorge: a primeira tourada à corda, na Calheta, com toiros da Terceira, dirigida por José Veríssimo «o Prosa», terceirense. Uma só fonte, um blogue que cita Pedro de Merelim (Ormonde, Arco de Almedina, 2016; Merelim 1986). Relatado.

  27. 1935

    dezembro de 1934 / 1935

    O etnógrafo Luís da Silva Ribeiro escreve que a existência das touradas à corda na Terceira, a única ilha açoriana onde se realizam, data dos primeiros tempos da colonização, e que antigamente os homens da corda iam com uma máscara na cara. É a afirmação de Ribeiro; não a pudemos confirmar, mas liga-se aos mascarados de 1622 e de 1904 (Ribeiro 1935, pp. 89–91).

    «A sua existência na Ilha Terceira, única dos Açores onde se realizam, data dos primeiros tempos da colonização»

    «Antigamente os homens da corda iam com uma máscara na cara»

  28. 1937

    agosto

    Lisboa imita os Açores: em Algés, a grande novidade de uma tourada à corda, ao estilo dos Açores (Diário de Lisboa, 21 ago. 1937).

    «a grande novidade duma tourada á corda, ao estilo dos Açores»

Criadores, praças e lei (1953–2026)

  1. 1953 / 1964

    A ganadaria Rego Botelho nasce em 1953, de gado Castro Parreira, e é registada na APCTL a 21 de junho de 1964 (livrete da DROAP, 2003). Relatado.

  2. 1957

    A Califórnia isenta as «touradas sem sangue» feitas em festas religiosas (Código Penal, §597m) (Attorney General, Opinion 80-1001 (1981)).

    “This section shall not, however, be construed as prohibiting bloodless bullfights, contests, or exhibitions held in connection with religious celebrations or religious festivals.”

  3. 1966

    22 de janeiro

    Fundada a Tertúlia Tauromáquica Terceirense «Thomé Bello de Castro», com 31 sócios; os estatutos são aprovados a 4 de abril (Tertúlia, «História»). Relatado.

  4. 1967

    outubro

    José Albino Fernandes funda a sua ganadaria (Casa Agrícola José Albino Fernandes) (CAJAF, «História»). Relatado.

  5. 1978

    12 de junho

    O primeiro regulamento regional: a Portaria n.º 28/78 aprova o regulamento das touradas à corda nas ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, com época entre 1 de maio e 15 de outubro. O preâmbulo fala no desaparecimento da autoridade distrital, o que sugere que o Governo Civil já as regulava antes (Portaria n.º 28/78, art. 1.º; JO I n.º 14, pp. 206–210).

    «Aprova o regulamento das touradas à corda nas Ilhas Terceira, S. Jorge e Graciosa.»

  6. 1980

    1 de janeiro

    O sismo arruína a Praça de São João (Tauromaquia Património). Relatado.

  7. 1984

    Abre em Angra a Praça de Toiros Ilha Terceira. Não encontrámos o dia exato nem o primeiro cartel; um blogue dá 1986 (Câmara Municipal de Angra; Tauromaquia Património). Relatado.

  8. 1990–1997

    Touradas à corda em Lowell, Massachusetts, no Holy Ghost Park. O registo de 24 de agosto de 1997 chama-lhe a última em Lowell (UMass Lowell, Januario Leal Video Collection).

  9. 1991

    Regime nacional da tauromaquia (Decreto-Lei n.º 306/91; Decreto Regulamentar n.º 62/91). Aplica-se aos recintos licenciados, pelo que não cobre a tourada de rua (DL 306/91; DecReg 62/91). Inferência nossa.

  10. 1992

    28 de maio

    A Portaria n.º 25/92 torna oficial o «1622»: o preâmbulo diz que a primeira citação conhecida de uma tourada à corda remonta a 1622 (Portaria n.º 25/92, JO I n.º 22).

    «Remonta a 1622 a primeira citação que se conhece da realização de uma tourada à corda.»

  11. 1996

    183 touradas à corda na Terceira, o primeiro ano da série da Tertúlia (Tertúlia, «Tourada à corda»). Relatado.

  12. 2000

    2 de junho

    Constitui-se a Associação Regional de Criadores de Toiros da Tourada à Corda (livrete da DROAP, 2003). Relatado.

  13. 2002

    19 de novembro

    O Tribunal Constitucional declara inconstitucional o decreto açoriano sobre a sorte de varas, por não existir interesse específico que justifique uma exceção à proibição geral (Acórdão n.º 473/2002).

    «não existe interesse específico que justifique a abertura de uma excepção à interdição geral»

  14. 2003

    17 de abril

    A Portaria n.º 27/2003 define o ganadeiro como possuidor de um mínimo de 25 vacas de ventre inscritas na associação regional (Portaria n.º 27/2003, art. 2.º a)).

  15. 2008

    5 de agosto

    O Decreto Legislativo Regional n.º 37/2008/A põe a tourada à corda na lei regional: quatro machos com pelo menos três anos, embolados à usança tradicional, e o toiro sempre embolado, a couro ou metal. O capítulo XIII entra em vigor a 1 de novembro e revoga a Portaria 27/2003. Nesse ano há 268 touradas, o máximo desde 1996 (DLR 37/2008/A, arts. 43.º f) e 64.º n.º 1; Tertúlia, «Tourada à corda»).

    «“Tourada à corda” a manifestação de carácter popular onde são corridos quatro machos com, pelo menos, três anos de idade, embolados à usança tradicional»

  16. 2010

    30 de março

    A primeira alteração (DLR n.º 12/2010/A): os toiros têm de ser bovinos machos da raça brava; duração máxima de três horas (DLR 12/2010/A).

  17. 2011–2012

    O mapa das touradas tradicionais passa para uma resolução do Governo, e as touradas podem ser licenciadas em qualquer dia da semana (DLR 20/2011/A; DLR 34/2011/A; DLR 13/2012/A).

  18. 2015

    12 de julho

    Pico: uma tourada à corda na Criação Velha, com um toiro da Terceira (CAJAF, blogue, 2015). Relatado.

  19. 2018

    11 de maio

    O capinha entra na lei: o DLR n.º 5/2018/A define o capinha como o participante da tourada à corda que se dedica, de forma espontânea, à lide típica do espetáculo. Nas ilhas Graciosa, São Jorge e Pico a duração pode chegar às quatro horas (DLR 5/2018/A, arts. 43.º o) e 53.º n.º 4).

    «“Capinha”, participante numa tourada à corda que se dedica, de forma espontânea, à realização da lide típica daquele espetáculo»

  20. 2020–2022

    a pandemia

    Nenhuma tourada em 2020, nove em 2021 e 235 em 2022. O DLR n.º 33/2021/A prolonga a época de 2021 até 15 de novembro (DLR 33/2021/A; Tertúlia, «Tourada à corda»).

  21. 2023

    11 de maio

    Sexta alteração, com republicação integral (DLR n.º 16/2023/A): um sinal sonoro de recurso, em alternativa aos foguetes. O preâmbulo nota manifestações significativas nas ilhas Graciosa, São Jorge e Pico (DLR 16/2023/A).

  22. 2023

    18 de outubro

    A Assembleia Legislativa rejeita um projeto para acabar com as touradas (Lusa, via Agroportal). Relatado.

  23. 2025

    30 de junho

    Um toiro morre afogado no Portinho, no Porto Judeu; é instaurado um processo de contraordenação (Observador, 1 ago. 2025). Relatado.

  24. 2025

    23 de julho

    Primeiro Festival de Capinhas da Graciosa, na praça de toiros do Monte da Ajuda (Graciosa Digital, jul. 2025). Relatado.

  25. 2026

    setembro

    Um capinha da Terceira é ovacionado numa demonstração de tourada à corda em Chiva (Valência) (RTP Açores, set. 2026). Relatado.

As fotografias, os postais e os filmes destes anos: Touradas de outros tempos.

Pessoas

Só figuras públicas e históricas, cada uma com a sua fonte. Capinhas vivos só com consentimento escrito.

Capinhas e mascarados

  • Os dois capinhas de 1746

    Angra, praça, julho de 1746

    Anónimos, de cara tapada, são os primeiros a ser chamados capinhas num texto açoriano. Saíram enquanto o cavaleiro mudava de cavalo e mostraram destreza nas sortes a pé. São um bom emblema: os primeiros capinhas de que há registo são anónimos, como a maioria ainda hoje (AA IX, p. 460).

  • Os mascarados de 1622

    Angra, ruas da cidade, início de agosto de 1622

    Os homens mascarados que acompanharam os toiros «de corda pela Cidade» na primeira tourada à corda de que há registo. Em 1904 os homens da corda ainda se chamavam «mascarados de corda» e em 1935 Ribeiro escreveu que antigamente iam com uma máscara na cara (AA VIII, p. 463; Portugal: Diccionario I, pp. 557–558; Ribeiro 1935, p. 91).

  • João dos Ovos

    Terceira, século XX; datas não encontradas

    Daniel de Sá trata-o como o capinha modelo das touradas à corda; a apresentação de «Terceira Terra de Bravos» fala em «o João dos Ovos das touradas à corda» e um blogue de efemérides chama-lhe exímio capinha. O nome civil e a época estão por confirmar no próprio livro (Fagundes, apresentação de Sá; Bagos d'Uva, 2012). Relatado.

  • Maria da Conceição

    Biscoitos, 7 de outubro de 1885

    Lidou um toiro na Praça de Santo António, nos Biscoitos. É a primeira mulher que encontrámos nomeada num festejo de toiros açoriano (de praça, não de corda): as mulheres capinhas de hoje têm um precedente do século XIX (BPARAH, «Documento do mês»). Relatado.

A Salga

  • Ambrósio de Ávila

    Vila da Praia, século XVI

    Na narrativa mais antiga da batalha deu a ordem de ir buscar o gado acima de São Sebastião e lançá-lo contra os castelhanos. Frutuoso chama-lhe «homem experimentado na guerra, que tinha andado na Índia de Portugal quinze anos», e escreve «Davista»; uma nota marginal diz «Ambrósio de Ávila». Quase não aparece nos relatos de hoje (Frutuoso, liv. VI, p. 158).

  • Frei Pedro da Madre de Deus

    frade agostinho de Angra, século XVI

    Em Frutuoso entra na luta a cavalo, de bandeira na mão: mais de trinta tiros acertaram na bandeira e nenhum nele. Em Drummond (1850) é ele quem aconselha o governador Cipriano de Figueiredo a lançar o gado (Frutuoso, liv. VI, p. 159; Drummond I, p. 223).

  • Brianda Pereira

    Vale da Salga, São Sebastião; mulher do lavrador Bartolomeu Lourenço

    Pessoa histórica, ativa em 1581. Em Drummond anima os defensores e lidera mulheres armadas, e chama-lhe «nova Lucrecia». Que tenha ideado a investida do gado é uma tradição posterior, que não está em Frutuoso nem em Drummond (Drummond I, pp. 219–220; Wikipedia, «Brianda Pereira»). Lenda.

  • Cipriano de Figueiredo

    corregedor e governador da Terceira, 1580–1582

    Governador por D. António, Prior do Crato, comandava a defesa da ilha na Salga. Os cronistas de 1583 lembram a vitória do gado como sua (Drummond I, pp. 223 e 329; Frutuoso, liv. VI, p. 158).

Festas, praças e criadores

  • João Pereira de Lacerda

    Angra, século XVIII

    O cavaleiro das festas da Misericórdia de 1746: farpeia «hum touro susto e terror das montanhas» enquanto os dois capinhas lidam o toiro a pé (AA IX, pp. 454–460).

  • José Borges Leal Corte Real

    Praia, século XVIII

    Como capitão-mor, oferece em 1765 um «brinco de touros na praça da villa» pelo aniversário do rei. Um comendador do mesmo nome forneceu os toiros da praça dos Biscoitos em 1885, provavelmente um descendente (por confirmar) (Drummond II, p. 294; BPARAH, 1885).

  • José Cupertino Dinis Ormonde

    Biscoitos, século XIX

    Empresário que fundou a Praça de Touros de Santo António, no Porto dos Biscoitos (aberta a 6 de setembro de 1885), a praça mais antiga da Terceira ainda em uso (BPARAH, «Documento do mês»). Relatado.

  • Morgado Barcelos

    Terra-Chã, Angra, século XIX

    Dono da «vasta ganaderia» de onde saiu o toiro que o espada espanhol «Mateíto» matou a 13 de setembro de 1895 (Lopes 1971, pp. 297–299). Relatado.

  • Thomé Bello de Castro

    nasceu em Angra e morreu na Praia da Vitória, 1910–1950

    A Tertúlia Tauromáquica Terceirense, fundada em 1966, tem o seu nome. O seu papel na tauromaquia não vem indicado na página que lemos (Tertúlia, «História»). Relatado.

  • José Dinis Fernandes

    Terceira, século XX

    Fundou em 1932 a primeira ganadaria da linha moderna, com gado bravo de José Narciso Parreira Coelho; terminou em 1967. A meio do século foi citado a escolher os toiros de forma diferente para a corda e para a praça (CAJAF, «História»; Correia, Baron & Moreira da Silva 2015, pp. 13–20). Relatado.

  • José Albino Fernandes

    Terceira, 1925–1994

    Fundou em outubro de 1967 a Casa Agrícola José Albino Fernandes, uma das ganadarias de referência para a corda e para a praça. Foi motor da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (1966) e pagou-lhe a primeira renda; foi homenageado a título póstumo em 2016 e o centenário foi assinalado em 2025 (CAJAF, «História»; Tertúlia, «História»). Relatado.

  • Ezequiel Vieira Rodrigues

    Posto Santo, Porto Judeu, século XX

    Fundador, em 1975, da ganadaria que os herdeiros continuam (livrete da DROAP, 2003). Relatado.

  • Francisco de Sousa

    Posto Santo, século XX

    Fundador, em 1927, da ganadaria FS, com gado de Jácome de Bruges (livrete da DROAP, 2003). Relatado.

  • José Veríssimo «o Prosa»

    terceirense, ativo em São Jorge, 1934

    Terá dirigido a primeira tourada à corda de São Jorge (Calheta, 7 de setembro de 1934) (Ormonde, Arco de Almedina, 2016). Relatado.

  • Frank Borba

    Califórnia, século XX

    Um dos pioneiros, nos anos 1960, das touradas portuguesas sem sangue no vale de San Joaquin (Isaacson, Los Angeles Times, 2007). Relatado.

Cronistas e investigadores

  • Gaspar Frutuoso

    São Miguel, c. 1522–1591; sacerdote

    As «Saudades da Terra» (escritas c. 1586–1590) dão a narrativa mais próxima da Salga, o gado de 1583, os cem mil animais de gado e a carta de 1474 (Frutuoso, liv. VI, pp. 48, 85, 157–160, 189).

  • P.e António Cordeiro, S.J.

    jesuíta nascido na Terceira, 1641–1722

    A «Historia Insulana» (1717) regista que se correm toiros todos os anos na praça de Angra, com as ruas barricadas (Cordeiro II, p. 44).

  • Francisco Ferreira Drummond

    São Sebastião, Terceira, 1796–1858

    Os «Annaes da Ilha Terceira» (4 vols., 1850–1864) são a espinha dorsal da cronologia dos toiros de 1559 a 1825. Serviu-se dos livros de acórdãos das câmaras, de Maldonado e de Cordeiro (Drummond I–IV).

  • Ernesto do Canto

    São Miguel, 1831–1900; bibliófilo

    Publicou o «Archivo dos Açores», que imprimiu a Relaçam de 1622 (vol. VIII) e o Epitome de 1746 (vol. IX) (AA VIII; AA IX).

  • João Viegas de Paula Nogueira

    1859–1944; veterinário e professor

    Esteve na Terceira em 1893 pela Sociedade de Geografia e escreveu a primeira descrição completa de uma tourada à corda (Fonte do Bastardo) (Paula Nogueira 1894, pp. 161–170).

  • Faustino da Fonseca

    1871–1918; jornalista

    «Uma tourada de corda — Costumes nos Açores» (Serões, 1901), com as primeiras fotografias impressas que encontrámos (Fonseca 1901, pp. 140–145).

  • Luís da Silva Ribeiro

    Angra, 1882–1955; etnógrafo

    Primeiro presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira. As suas notas de 1935 são a primeira descrição etnográfica das touradas. As suas obras são de domínio público em Portugal desde 1 de janeiro de 2026 (Ribeiro 1935, pp. 89–92).

  • Gervásio Lima

    1876–1945; bibliotecário e escritor

    Bibliotecário da Câmara de Angra e escritor; «A Pátria Açoreana» (1928) está entre as obras que consultámos (Lima 1928, p. 144).

  • Frederico Lopes («João Ilhéu»)

    Angra, século XX

    «Da Praça às Covas» (1971) é a história mais rica da praça de Angra e das suas festas de toiros (1809, 1825, 1839, 1870, 1895) (Lopes 1971).

  • Pedro de Merelim

    século XX

    Autor de «Tauromaquia Terceirense» (Angra, 1986), a história local de referência. Ainda não a lemos (Merelim 1986).

  • Daniel de Sá

    escritor micaelense

    Autor de «Terceira Terra de Bravos», que celebra a tourada à corda e os seus capinhas. Ainda não confirmámos as suas datas de vida (Sá, Terceira Terra de Bravos).

Não listamos pessoas vivas. Os capinhas de hoje só aparecem aqui com o seu consentimento escrito; se for capinha e quiser aparecer, ou se alguém aqui nomeado quiser corrigir ou retirar a sua entrada, escreva-nos.

Por saber

Não sabemos quem foi o primeiro a abrir um guarda-chuva diante do toiro, nem o ano da primeira tourada à beira-mar, nem o dia exato em que abriu a Praça de Toiros Ilha Terceira.

Se tem fotografias antigas, programas ou cartazes de touradas à corda, escreva-nos.

Correções e remoção: se encontrar um erro, ou se quiser que uma entrada sobre si ou sobre um familiar seja corrigida ou retirada, escreva-nos e tratamos disso.

O que procuramos

  • Pedro de Merelim, «Tauromaquia Terceirense» (1986), no BPARAH ou na Tertúlia: as pp. 14 e 39–40, a tourada de São Jorge de 1934 e as primeiras datas da Graciosa e do Pico (Merelim 1986).
  • Frei Diogo das Chagas, «Espelho Cristalino» (ed. 1989), e Maldonado, «Fénix Angrense»: procurar toiros entre 1600 e 1680. Qualquer um pode ter um toiro de rua anterior a 1622 (Chagas; Maldonado).
  • As Constituições do bispado, de 1560: a redação exata e o fólio da proibição dos toiros nos adros (Constituições, 1560).
  • A provisão de 13 de setembro de 1685: o texto original, nos registos da Câmara de Angra (BPARAH) (Drummond II, p. 210).
  • A «Relaçam geral das festas» de 1623, nos fólios 212–223 v, no original: usámos a reedição de 1886 (Relaçam, 1623).
  • Raul Brandão, «As Ilhas Desconhecidas» (1926), de domínio público: ver se o capítulo da Terceira descreve uma tourada (Brandão 1926).
  • O dia de abertura e o primeiro cartel da Praça de Toiros Ilha Terceira (1984): no Diário Insular e n'A União.
  • O guarda-chuva e as touradas à beira-mar: história oral com a Tertúlia e com os ganadeiros mais velhos.
  • Os capinhas de hoje: só com consentimento escrito de cada um.

Bibliografia

Cada fonte citada nesta página, com ligação para a cópia digitalizada sempre que a há.

As referências seguem a prática portuguesa (NP 405). «Consultado» quer dizer que lemos a fonte; «não consultado» que a conhecemos por outro autor e que alguém a deve ver. Só reproduzimos páginas de obras em domínio público, a partir de cópias digitalizadas públicas. Não reproduzimos páginas da edição de 1963 de Frutuoso: só a citamos.

Fontes primárias: crónicas e documentos antigos

  • FRUTUOSO, Gaspar – Livro Sexto das Saudades da Terra. Ponta Delgada: Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1963. Escrito c. 1586–1590. Páginas usadas: 48, 64, 85, 157–160, 189. Consultado. O texto de Frutuoso é de domínio público, mas esta edição de 1963 não é: citamos, não reproduzimos. Internet Archive
  • CORDEIRO, António, S.J. – Historia Insulana das Ilhas a Portugal Sugeitas no Oceano Occidental. Lisboa: Off. de Antonio Pedrozo Galram, 1717. Reimpressão: Lisboa: Typ. do Panorama, 1866, 2 vols. Vol. II, liv. VI, cap. X, §84, pp. 43–44; cap. XXIV, p. 143; cap. XXIX, pp. 156–157. Consultado. O impressor de 1717 está por confirmar numa folha de rosto original. Internet Archive
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  • MALDONADO, Manuel Luís – Fénix Angrense (fins do séc. XVII). Edição moderna: Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, desde 1989 (editor e volumes por confirmar). Não consultado. Drummond cita-o para as festas de 1662 (Annaes II, p. 143, n. 41). Por procurar: toiros, 1622, 1662.
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    • Vol. VII (1885), p. 300 (1823). Consultado. Internet Archive
    • Vol. VIII (1886), pp. 454–468: «Relaçam das festas que fez o Collegio da cidade d'Angra da Ilha Terceira» (1622). Consultado. Internet Archive Página 463
    • Vol. IX (1887–1888), pp. 454–463: «Epitome das festas … na trasladação da milagrosa Imagem do Senhor Santo Christo para o templo de novo erecto da Misericordia … em julho de 1746». Consultado. Internet Archive Página 460
    • Vol. XII, pp. 143–144: texto antigo sobre os toiros bravos de São Miguel apanhados ao laço. Consultado. A atribuição a Frutuoso (liv. IV) está por confirmar.
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